Erinn Orcutt - Uma sobrevivente

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

5/11/20236 min read

Ela conseguiu escapar do ataque de dois policiais

Erinn Orcutt era uma jovem mãe solteira que vivia em Ontario – California e passava grande parte do seu tempo trabalhando. Na época, ela trabalhava como bartender num restaurante de terça à domingo. Em um sábado de abril de 2010, Erinn saiu mais cedo de seu serviço por conta do movimento fraco, ela foi em direção ao estacionamento em busca do seu carro e ao abrir a porta do veículo foi abordada por um homem que ordenou que ela entrasse no carro.

No início, ela pensou que fosse alguma brincadeira feita por algum de seus colegas de trabalho, até que percebeu que o cara estava armando, Erinn pensou em gritar por socorro mas o estacionamento estava vazio e isso não adiantaria, com medo da situação ela simplesmente obedeceu e entrou no carro.

Ao olhar mais atentamente, Erinn percebeu que o sequestrador estava acompanhado, logo atras dele tinha outro homem que observava a situação e parecia estar se divertindo. Erinn se sentou no banco do motorista, o sequestrador que estava armado sentou do seu lado e mandou ela dirigir, mas não disse onde deveriam ir, o segundo homem ficou pra trás. Como Erinn tinha crescido naquela região, sabia os lugares em que poderiam ter policiais e então, ela fez um trajeto que achou que poderia ter ajuda, mas pro seu desespero não havia nenhuma viatura por ali, enquanto isso, Erinn começou a conversar com o homem implorando para que ele a deixasse ir embora. Ela dizia para ele levar seu carro e que não daria queixa na polícia, mas não era isso o que o sequestrador queria.

Alguns minutos depois o homem pediu para Erinn estacionar em um restaurante, o local era extremamente movimentado e tinha muitos comércios ali próximo, então ela não achava que algo de grave poderia acontecer. Entretanto, as pessoas que passavam por ali não conseguiam ver o que acontecia dentro do carro por conta das janelas escuras.

Ao parar o carro o sequestrador mandou que ela passasse para o banco de trás junto com ele. O homem ficou sentado em cima do assento do filho dela e obrigou ela a tirar a roupa. Erinn chorava e implorava para que ele deixasse ela ir embora, mas ele dizia que isso não iria acontecer. Conforme ia ficando mais irritado com o choro dela, ele apontou a arma para a cabeça de Erinn e mandou ela parar de chorar.

Erinn fez o que ele mandou então ele pegou o celular e começou a tirar fotos de Erinn nua e enviar para alguém, depois disso ele começou a tentava violenta-la sexualmente por vários minutos seguidos mas não conseguiu por problemas de ereção. Erinn contou que o homem ficou extremamente irritado por isso e começou a bater nela repetidamente com socos e tapas. Em certo ponto o celular do homem tocou e ele atendeu, ele estava falando com o homem que estava junto com ele no momento do sequestro e que tinha ficado pra trás no estacionamento, nesse momento Erinn percebeu que era pra esse homem que o sequestrador estava enviando suas fotos nua. Os homens se falaram no telefone por um curto período de tempo enquanto tiravam sarro da situação e davam risada. Quando desligaram, o sequestrador mandou que Erinn vestisse sua roupa que eles iriam para o deserto e terminariam aquela situação de vez.

Nesse momento Erinn teve certeza de que precisaria sair dali o mais rápido possível, se não algo ainda pior poderia acontecer com ela. Enquanto se vestia, ela percebeu que a arma do sequestrador havia caído embaixo do banco do passageiro. Como o homem estava sentado no lado em que normalmente Erinn colocava seu filho para andar de carro, a porta tinha uma tranca que só permitia que a porta fosse aberta por fora. Tranca que não tinha na porta atrás do motorista, local onde Erinn estava. Para a sua sorte, o telefone do sequestrador tocou de novo, quando ele foi atender, Erinn abriu a porta do carro e saiu correndo e gritando por socorro em direção às lojas de conveniência. Desesperado o homem tentou fugir com o carro de Erinn, mas não conseguiu pois o veículo tinha uma trava de segurança que impedia que ele fosse ligado, o homem decidiu fugir a pé e em sua pressa acabou deixando no carro a sua arma onde tinha seu nome gravado e seus óculos.

Assim que a polícia chegou no local o que mais chamou a atenção foi a gravação do nome do homem na arma, já que essa prática é muito comum por agentes da polícia, e de fato ao checarem eles descobriram que a arma pertencia a um policial chamado Anthony Orban.

Anthony foi encontrado em um estacionamento ajudando seu colega Jeffrey Jelinek, um agente penitenciário, a procurar seu caminhão. Ao ser questionado Anthony disse que sua arma tinha desaparecido dias antes e que ele ainda não tinha reportado isso as autoridades, porém os detetives não acreditaram nisso, até porque os dois homens, Anthony e seu amigo Jeffrey batiam com a descrição que Erinn havia dado a polícia sobre os criminosos, os dois foram levados então pra delegacia.

Erinn foi chamada até lá pra fazer o reconhecimento e de fato ela afirmou que tinha certeza que aqueles eram os dois homens, ela contou posteriormente que quando descobriu que seus agressores eram agentes da polícia, pensou que seu caso seria abafado e ela não teria justiça, mas para sua sorte não foi isso que aconteceu. Os dois policiais foram levados sob custódia e nos interrogatórios, os dois disseram que não conseguiam se lembrar de nada que tinha acontecido aquele dia. Anthony alegou ter bebido muitas margueritas em seu almoço e também fez o uso de um remédio para depressão, o que seria responsável pelo seu esquecimento, esse mesmo remédio tinha como efeito colateral, a impotência sexual, um dos motivos dele não ter conseguido realizar a violência sexual por completo contra Erinn.

Já no depoimento de Jeffrey depois de muito tempo alegando não se lembrar do ocorrido, ele pergunta ao detetive se gostaria de olhar as fotos em seu telefone. A galeria de Jeffrey estava cheia de fotos que Orban havia enviado de Erinn dentro do carro sem roupa.

Mesmo sendo entregue por Jeffrey, Anthony ainda seguia alegando não se lembrar de nada. Ele não negou que tivesse cometido os crimes mas dizia que não se lembraba e alegava ser inocente já que no momento do ato ele estava sob efeito de álcool e remédios.

As desculpas e o papel de vítima não eram as únicas coisas que revoltavam Erinn e os investigadores, mas também o fato do policial Anthony ser responsável por investigar crimes sexuais em sua unidade.

Quando tudo parecia estar resolvido, Erinn passou a receber ligações estranhas e começou a desconfiar que estava sendo seguida, mas não sabia se estava relacionado com o caso, entretanto tudo indicava que sim, já que as ligações de Anthony gravadas na prisão tinham falas dele dizendo que “tudo seria mais fácil se a vítima não estivesse mais entre eles”. A partir daí a polícia colocou Erinn no programa de proteção a vítimas e ela só teve notícias de Anthony em seu julgamento.

dois anos e meio depois do crime Erinn recebeu uma ligação informando que Anthony tinha sido julgado e declarado culpado em 8 acusações criminais, incluindo sequestrado, estupro e assédio sexual. Jeffrey concordou em testemunhar contra Anthony no tribunal em troca de uma sentença menor de apenas 5 anos.

Na ligação Erinn também foi informada de que poderia assistir a audiência de sentença de seu agressor, mas no dia da audiência ela recebeu outra ligação avisando que Anthony havia sido encontrado morto em sua cela após tirar a própria vida. Entretanto, Erinn insistiu em comparecer ao tribunal para fazer sua declaração, pois ela precisava de um encerramento daquela etapa de sua vida.

Na declaração, Erinn falou como se estivesse falando com Anthony e disse estar muito desapontada com o que teve que passar, que após tudo que passou foi diagnosticada com transtorno de estresse pós traumático, ataques de pânico e depressão. Mesmo com todas essas dificuldades ela decidiu se levantar e não agir apenas como vítima, assumindo o controle da sua vida novamente, ela também disse que mesmo com tudo isso ela perdoava Anthony pelo que ele fez.

Neste dia, a juíza do caso também revelou que se Anthony não tivesse tirado a própria vida sua sentença seria de 82 anos de prisão seguidos de outra sentença de 95 anos de prisão.

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