Fera da Penha

CRIMES REAISCASOS BRASILEIROS

4/25/20236 min read

A vingança brutal de uma amante rejeitada

Neyde Maria Maia Lopes, era uma jovem de 22 anos que morava com seus pais no Rio de Janeiro. Todo dia ela saia para trabalhar como comerciaria e passava pela estação de trem Pedro II, que hoje em dia se chama Centro do Brasil. Ela era uma jovem solitária que passava grande parte do seu tempo lendo, principalmente, a coluna do jornalista e escritor Nelson Rodrigues.

Em 1959, enquanto estava no trem, Neyde conheceu Antônio Couto Araújo, um homem muito gentil e educado. Os dois começaram a conversar, e em pouco tempo assumiram um relacionamento. O casal se via praticamente todos os dias e Neyde era completamente apaixonada por Antônio.

Até que em um certo dia, um amigo de Antônio os viu trocando carinho no trem e quando Neyde ficou sozinha, ele a avisou de que Antônio era casado e tinha duas filhas pequenas. Neyde sempre soube que Antônio escondia algo, mas nunca teve coragem de perguntar por medo de perder o namorado, mas quando ficou sabendo, foi tirar satisfação com ele. Antônio confirmou que era casado, e Neyde disse que se ele quisesse ficar com ela teria apenas uma semana para se separar de sua esposa, Antônio explicou que essas coisas não se resolviam tão rápido assim, mas que se ela desse mais tempo, ele largaria a família para ficar com ela. Neyde concordou em esperar e manter o relacionamento em segredo.

Conforme os meses iam passando, Neyde percebia que Antônio não parecia estar tentando sair do seu casamento, na verdade, ela achava que ele estava até perdendo o interesse nela. Com muito medo de perder seu namorado, Neyde começou a traçar um plano que levou 6 meses para fazer com que Antônio fosse só dela.

Primeiro ela descobriu onde ele morava com a família e passou a observar a rotina da casa de longe. Antônio, sua esposa Nilsa e suas duas filhas moravam no bairro Piedade no Rio de Janeiro. Eles tinham uma vida muito tranquilo, Antônio saia para trabalhar como motorista, enquanto Nilsa ficava em casa cuidando das filhas.

O próximo passo era se aproximar da família sem que Antônio soubesse, então ela decidiu bater na porta de Nilsa e quando abriu a porta, Neyde logo disse que as duas tinham estudado juntas e se Nilsa lembrava dela, Nilsa não se lembrava, mas para não tornar a situação constrangedora, ela respondeu que sim e a convidou para entrar. As duas começaram a conversar, e Neyde logo percebeu que ser ex-colega de classe não faria as duas se aproximar, então ela inventou que estava apaixonada pelo irmão de Nilsa e pediu ajuda para se aproximar dele. Nilsa disse que sim, e as visitas se tornaram cada vez mais frequentes. Neyde aproveitava essas visitas para saber mais sobre a vida do casal, até que um dia, ela perguntou para Nilsa o que Antônio mais amava na vida, e ela sem demora respondeu que era sua filha Tânia de 4 anos, ou Taninha, como eles a chamavam. A partir desse momento, Neyde tentou se aproximar cada vez mais da criança, dando presentes e doces, até Tania começar a chamar ela de tia.

Ao mesmo tempo que Neyde tentava se aproximar da família de Antônio, ela ainda se encontrava com ele escondida, até que um dia ela perguntou se ele realmente amava Nilsa. Antônio achou muito estranho, pois nunca tinha contado nada da sua família para ela, principalmente o nome da sua esposa, então ele perguntou como ela sabia, Neyde disse que conhecia a família inteira e que se ele não terminasse o casamento logo, ela mataria todos eles. Antônio não levou essa ameaça a sério, pois achou que fosse apenas uma crise de ciúmes, então foi para casa.

No dia 30 de junho de 1960, Tânia não queria ir para escola, mas Nilsa a levou mesmo assim. Neste dia a tarde, a escola recebeu um telefonema de Nilsa avisando que uma amiga iria buscar Tânia. No fim da tarde, Neyde foi até a escola e buscou Tânia, que foi entregue pela própria diretora, mas meia hora depois Nilsa apareceu na escola para buscar a filha e descobriu da suposta ligação que teria feito. Desesperados, Nilsa, Antônio e a diretora da escola, começaram a procurar pela criança e depois foram para delegacia denunciar o desaparecimento. Quando a diretora deu a descrição da moça que tinha pego Tânia, Antônio logo soube que se tratava de Neyde, mas ele não podia dizer que conhecia a moça com a sua esposa na sala.

Enquanto isso, Neyde tinha levado Tânia para casa de sua amiga que ficava próximo a um matadouro. A região era cheia de bicho que comia as carcaças dos animais do local. Neyde disse para sua amiga que estava tomando conta da filha de uma outra amiga, e em seguida pediu uma tesoura emprestada para cortar uma mecha do cabelo de Tânia. Ela cortou o cabelo e colocou a mecha em sua bolsa. Por volta das 8h da noite, Neyde e Tânia saíram da casa dessa amiga e passaram num mercado para comprar uma garrafa de álcool, quando questionada pela criança para que servia a aquela garrafa, Neyde disse que ela ficaria doente e que essa garrafa iria ajuda-la. Em seguida, as duas foram até o matadouro, e Neyde atirou na criança e depois jogo álcool sobre o corpo e tacou fogo, e foi para casa como se nada tivesse acontecido.

O que Neyde não sabia era que tinha alguns funcionários trabalhando naquela noite no matadouro, que inclusive ouviram o barulho de tiro e foram ver do que se tratava. Ao verem a criança pegando fogo, ligaram para a polícia, mas quando eles chegaram ao local, Tânia já estava morta. Quando Antônio descobriu que sua filha tinha sido assassinada, ele contou para as autoridades quem era a mulher descrita pela diretora, então eles foram até a casa de Neyde por volta das 22h30 e a encontraram jantando com seus pais, a polícia revistou a casa e encontrou a mecha de cabelo dentro da bolsa junto com a arma do crime.

Neyde se declarava inocente e não estava colaborando com as investigações, então os policiais a levaram até o local do crime para ver o corpo da menina, mas Neyde implorou para ir embora, e disse que se eles a tirassem de lá, ela contaria tudo. Encaminhada para delegacia novamente, Neyde ainda se declarava inocente e seu interrogatório demorou cerca de 12h.

Saulo, o locutor de uma rádio da região que inclusive ajudou a divulgar o desaparecimento de Tânia, foi liberado para fazer uma entrevista com Neyde e logo de cara perguntou o porquê de ter feito aquilo, Neyde que já não aguentava mais os interrogatórios disse que só não tinha matado a família inteira por falta de tempo, e a partir desse momento contou detalhadamente o que tinha feito. A entrevista foi transmitida para milhares de pessoas e quando foi levada a delegacia novamente, um mutirão de gente pedia pela pena de morte.

Neyde foi encaminhada a penitenciária e seu julgamento aconteceu quatro meses depois. Ela foi condenada a 33 anos de prisão por sequestro e homicídio triplamente qualificado, mas foi liberada depois de cumprir 15 anos por bom comportamento. Durante esse tempo, testemunhas dizia que Neyde andava com uma boneca que dizia ser sua filha.

Ao sair da cadeia, ela voltou a morar com os pais na Zona Norte do Rio de Janeiro. Seus vizinhos disseram que ela era uma pessoa muito solitária e que quase nunca saia. O caso ficou conhecido como Fera da Penha. Antônio e Nilsa continuaram casados, ela perdoou a traição e tiveram mais três filhos. O matadouro não existe mais, e no seu lugar foi inaugurado uma praça.


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