Hannah Milbrandt - Até onde uma mãe é capaz de ir por dinheiro?

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

5/8/20236 min read

Até onde uma mãe é capaz de ir por dinheiro? O absurdo caso de Hannah

Hannah Milbrandt morava em Urbana, Ohio com seus pais, Teresa e Robert. Robert trabalhava como impressor e Teresa já tinha trabalhado em vários empregos. Os dois já tinham filhos de outras relações, mas só Hannah era filha dos dois e morava com eles. Os vizinhos contam que Teresa parecia ser uma boa mãe, sempre preocupada com sua filha e sempre muito gentil com as pessoas.

A família era religiosa e grande parte de seus amigos eram da igreja. Em abril de 2002, Robert entrou em contato com um de seus melhores amigos, Davi Henry que também era pastor da igreja que frequentavam, avisando que Hannah tinha ido ao médico, pois estava tendo muitas dores de cabeça e após fazer alguns exames, eles descobriram que ela estava com um tumor na cabeça. Após dar a notícia para seus amigos, Robert e Teresa conversaram com a filha, explicando o diagnóstico e dizendo que ela teria que operar e se submeter a diversos tratamentos. Na época, Hannah tinha 6 anos.

Após o diagnóstico, os vizinhos contam que Hannah não podia sair mais para brincar e nem frequentar a casa de seus amigos, pois a família dizia que a imunidade dela estava baixa, então qualquer vírus para ela seria fatal. Todos na comunidade achavam que Hannah não iria sobreviver.

Teresa dizia que conforme Hannah ia tomando seu medicamento, o cabelo dela começou a cair e ela dizia não saber mais o que fazer, então ligou para a esposa do pastor Davi, Amy que era sua melhor amiga na época, para pedir conselhos. Amy conta que perguntava a Teresa o que ela queria fazer, se queria mesmo raspar o cabelo de sua filha e Teresa dizia que sim. No dia em que as duas foram raspar o cabelo de Hannah, Amy dizia que Hannah chorava e implorava para que não fizessem isso, para que não cortasse o cabelo dela, mas a família explicava que era assim que tinha que ser.

Na escola de Hannah, os professores decidiram fazer uma homenagem para ela, então um dia, todos, incluindo funcionários e as demais crianças usaram chapéus em solidariedade a ela. Hannah passou um bom tempo usando chapéus, máscaras cirúrgicas e um curativo atrás da cabeça por conta das quimioterapias.

Os professores de Hannah diziam que ela era muito simpática e que sempre estava muito ativa apesar do seu diagnóstico e que sempre cumprimentava seus professores e perguntava como eles estavam. O que chamava muita atenção, já que ela parecia muito bem, mesmo com seu diagnóstico tão grave. Teresa contava para as pessoas que a filha tinha três tumores espalhados pelo corpo, um na cabeça, outro na mandíbula e um na medula espinhal e que estavam torcendo para que a quimioterapia fosse o suficiente.

Em maio de 2002, o pai de Emilly, a melhor amiga de Hannah, Dave Kernut comentou com dois de seus colegas de trabalho que a família de Hannah não tinha seguro para cobrir o tratamento e então eles decidiram doar para a família 5 mil dólares para ajudar nas medicações, mas não parou por aí. Quando outros colegas de Dave descobriram a história, todos queriam ajudar a família com dinheiro, tanto que o corpo de bombeiros, local onde Dave trabalhava, pagou para a família Milbrandt uma viagem no final de semana para Kings Island, pois sempre foi o desejo de Hannah conhecer o local. Eles também realizaram o desejo dela de ter um cachorro.

Em agradecimento ao corpo de bombeiros, Teresa escreveu uma carta dizendo que Hannah estava muito contente com o novo cachorrinho, mas que estava perdendo muito peso por conta da quimio e que o curativo atrás da cabeça era porque suas veias não estavam boas para receber o medicamento, mas que Hannah estava muito grata por tudo que eles tinham feito.

Em pouco tempo, as famílias que moravam na mesma cidade ficaram comovidas com a história e realizaram comícios de apoio e eventos de arrecadação de fundos para o tratamento de Hannah. Também era muito comum que as pessoas da cidade separassem aqueles lacres de latinhas para trocar por dinheiro, então as famílias que não tinham condição de doar dinheiro, juntavam esses lacres e deixavam na escola e lá eles faziam a troca por dinheiro e doavam para a família Milbrandt.

O caso de Hannah tomou uma proporção muito grande, tanto que uma menina chamada Stephanie que também tinha uma condição de saúde crítica, pois vivia em cadeira de rodas e usava aparelho para respirar ficou sabendo do caso e decidiu doar os seus lacres para Hannah que ela havia guardado por 9 anos para ajudar no seu próprio tratamento.

A família Milbrandt dizia que estava gastando em média 500 dólares por semana, o que resultava em 2.000 dólares por mês, com os tratamentos de Hannah. Em outubro de 2002, a mãe de Hannah disse à comunidade que as condições de Hannah estavam piorando e que ela teria apenas mais seis meses de vida.

Mas quando foi em novembro, os professores da escola em que Hannah estudava começaram a se questionar sobre o diagnóstico da menina, pois começaram a reparar que o cabelo de Hannah não parecia estar caindo e sim, sendo cortado e que ela não parecia estar tão cansada quanto deveria estar devido à gravidade do seu diagnóstico. Então o serviço social e alguns investigadores foram chamados na escola para conversar com Hannah e perceberam que o cabelo realmente não estava caindo e que o curativo que representava o local da quimioterapia não cobria nada além da pele saudável de Hannah.

Naquela mesma tarde, os investigadores foram conversar com a mãe de Hannah, Teresa, e ela confessou que a doença de sua filha era falsa. A mãe de Teresa, Marry Russell, então, foi orientada a levar Hannah para a delegacia o mais breve possível para conversar com os policiais. Quando entrevistada Hannah contou aos policiais que sua mãe dava para ela uma pílula azul para ajudar contra o câncer e eles descobriram que essa tal pílula era um medicamento para dormir.

Teresa assumiu em um dos interrogatórios que ela dava as pílulas para Hannah dormir no carro para que quando acordasse acreditasse que tinha ido ao médico. Enquanto os pais de Hannah estavam sendo investigados, a menina estava ficando com a avó, até que o serviço social decidiu levar Hannah para um orfanato pois sua avó também foi acusada de envolvimento em toda essa história, sendo assim, Teresa, Robert e Marry foram presos.

Em 2003, após 5 meses em que os pais de Hannah e sua avó haviam sido detidos pela polícia foi que receberam a sentença. Marry, avó de Hannah, foi condenada a um ano de prisão por roubo, já que tinha participado da fraude que arrecadou centenas de dólares da população preocupada com Hannah, Teresa, foi condenada a seis anos e meio de prisão e teve que pagar em torno de 25.300 dólares para restituição a indivíduos e empresas enganadas, Robert, pai de Hannah, cumpriu quatro anos e 11 meses de prisão e teve que reembolsar 1.100 dólares a seus ex-colegas de trabalho em Pitney Bowes. Ele alegava não saber que o diagnóstico de Hannah era uma farsa, pois a mãe de Hannah quem sempre a levava às consultas. A polícia alega que a família Milbrandt enganou cerca de 65 pessoas e empresas para receber dinheiro.

Mas o que todos não sabiam, era que Teresa já havia sido presa outra vez em 1989 por fraude em cartões de crédito. O que revoltou ainda mais as pessoas da cidade.

Em 2017, quando Hannah tinha 21 anos, decidiu se manifestar sobre o caso e disse que as mentiras da mãe a fizeram ter depressão e pensamentos suicidas. Hannah também conta que não possui mais contato com sua mãe, mas que ainda conversa com seu pai às vezes. Ela também disse que estava fazendo terapia para poder lidar melhor com a situação.

Hannah Sorrindo
Hannah Sorrindo

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