Michael Gargiullo - O Serial Killer da Vizinhança

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

5/12/20235 min read

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No dia 28 de abril de 2008, em Santa Mônica - Califórnia, a polícia recebeu um alerta de que uma moça tinha sido brutalmente atacada dentro de seu apartamento. A moça era Michelle Murphy, tinha 26 anos, era produtora de filmes e praticava artes marciais. Morava sozinha em um apartamento no segundo andar.

Naquela noite do dia 28, Michelle estava dormindo quando uma dor extremamente intensa em seu peito a fez acordar desesperada. Quando acordou, viu um homem sentado em cima dela a golpeando com uma faca. Como ela tinha noção de artes marciais, rapidamente conseguiu iniciar uma luta tentando escapar dos golpes. Nessa luta, Michelle feriu gravemente as mãos ao tentar segurar a faca usada pelo homem e também recebeu 17 facadas, mas felizmente conseguiu jogar o homem para fora da cama. O homem também acabou se ferindo cortando o próprio pulso sem querer e, assustado pela reação de Michelle e também pela dor, saiu correndo e fugiu pela mesma janela que tinha entrado. Antes de sair, virou-se para Michelle e disse “me desculpe” várias vezes. Michelle conseguiu ligar para a polícia, foi socorrida e levada ao hospital. Os policiais colheram amostras de sangue do criminoso da cena do crime. Pouco mais de um mês depois, ao cruzarem a amostra com a base de dados nacionais da polícia, descobriram que era na verdade o vizinho de Michelle, Michael Thomas Gargiulo, de 32 anos, que já tinha passagem na polícia.

Na adolescência, havia sido preso por roubo de carros, porém ficou em liberdade condicional após pagar uma multa de $200. Em 1993, quando ele tinha apenas 17 anos, sua mãe morreu de câncer e ele passou a viver sozinho em Glenview – Illinois, EUA. Em 1997, mudou-se para Los Angeles com a intenção de ser boxeador. Ele treinava todos os dias e trabalhava como segurança em um bar, mas foi demitido por bater em um cliente. Depois disso, passou a trabalhar arrumando ar-condicionados e aquecedores. Em 2007, com 31 anos, ele se casou com uma mulher chamada Ana Luz Gonzalez. Aparentemente, o relacionamento deles era normal.

Foi descrito como quieto, tímido, reservado, com poucas palavras e poucos amigos. Os poucos amigos que tinha disseram que quase sempre era na dele, mas tinha um outro lado que aparecia às vezes, quando ele ficava muito irritado, nervoso e explosivo.

No dia 6 de junho de 2008, a polícia prendeu Michael pela tentativa de homicídio de Michelle. O modo como havia ocorrido o crime levantou a suspeita dos policiais, pois já haviam acontecido outros crimes muito semelhantes àquele na Califórnia que não tinham sido solucionados ainda. Como o modus operandi era extremamente parecido, Michael passou a ser suspeito desses assassinatos. Conseguiram vincular Michael a 3 assassinatos.

O primeiro aconteceu em 1993. A vítima foi Tricia Paccacio, uma garota de 18 anos doce e estudiosa. Ela era vizinha de Michael, e seu irmão era amigo dele. No dia 13 de agosto de 1993, Patricia saiu para jantar com algumas amigas e, quando retornou para casa, por volta das 2h30 da madrugada, foi surpreendida ao ser atacada na porta de sua casa. Tricia foi golpeada 12 vezes com uma faca em seu coração, pulmão e abdômen. O pai de Tricia a encontrou na manhã seguinte morta na porta da casa. Naquela época, eles não tinham nenhuma pista de quem poderia ter sido o assassino. Michael chegou a ser investigado por ser amigo do irmão de Tricia e frequentar constantemente a casa, mas a única prova encontrada contra ele foi seu material genético embaixo das unhas de Tricia. Para a polícia, isso o tornava suspeito, mas as autoridades não aceitaram aquilo como prova suficiente para acusar Michael, já que ele estava constantemente na casa de Tricia, inclusive esteve lá no dia anterior. Então, aquele material genético podia ter ido parar nas unhas dela em outras circunstâncias.

Depois disso, mais uma vez Michael se mudou de cidade, dessa vez para Del Monte, Califórnia. O terceiro aconteceu em 2005, a vítima foi Maria Bruno, de 32 anos, mãe de 4 crianças e divorciada. No dia 2 de dezembro de 2005, o ex-marido de Maria chegou em seu apartamento para levá-la ao trabalho, como era de costume. Entrou na casa procurando por Maria e ao entrar no quarto viu ela na cama completamente ensanguentada. Ele rapidamente chamou a polícia. Como estavam se divorciando amigavelmente e como foi comprovado que eles eram muito próximos apesar do divórcio, a polícia não acreditava que havia sido o ex-marido de Maria o autor do crime. A polícia começou a suspeitar que quem cometeu o crime tinha planejado tudo, já que seus amigos disseram que alguns dias antes Maria tinha dito que um homem estranho estava a observando.

Em frente ao apartamento de Maria, a polícia encontrou um pé de uma sapatilha cirúrgica (de tecido que se coloca envolvendo o sapato) manchada de sangue de Maria. Um dos vizinhos de Maria alegou ter visto um homem rondando a casa na noite do crime e por isso foi solicitado um retrato falado, o qual foi divulgado por todas as partes, porém sem nenhum resultado, mais uma vez Michael era vizinho da vítima.

Após a prisão de Michael pela tentativa de homicídio de Michelle, a polícia fez uma busca na casa dele e encontraram no sótão o outro pé do par daquela sapatilha cirúrgica encontrada do lado de fora do apartamento de Maria, nesse outro pé também tinha sangue dela. Além disso, também encontraram DNA dele na cena do crime da Ashley e já tinham as unhas de Tricia. Ele era sempre o mesmo padrão de ataque brutal com faca, vítimas sozinhas em casa e sempre suas vizinhas.

A polícia ainda conseguiu conectar Michael a outros 7 homicídios de mulheres nessas mesmas circunstâncias na Califórnia, o que totalizava 10 vítimas, mas nesses outros casos não tinham prova suficiente contra ele.

No dia 20 de outubro de 2008, Michael Gargiulo foi acusado de assassinato em primeiro grau pela morte de Ashley Ellerin e de Maria Bruno, acusado também por tentativa de assassinato contra Michelle Murphy. Entretanto, não foi acusado pela morte de Tricia Pacaccio, pois, segundo as autoridades, eles ainda não tinham provas suficientes para culpá-lo. Apesar de terem encontrado o DNA dele embaixo das unhas de Patricia. Somente no dia 7 de julho de 2011, as autoridades aceitaram, e Michael foi finalmente acusado de assassinato em primeiro grau pela morte de Tricia.

Os casos tiveram grande repercussão na mídia e Michael passou a ser conhecido como o Estripador de Hollywood. O julgamento ficou sendo remarcado várias vezes por muitos anos e, nesse meio tempo, em 2019, o governador Gavin Newsom proibiu a prática de executar pessoas que foram condenadas à morte enquanto ele foi governador.

Em seu julgamento, Michael negou ter cometido qualquer crime e se declarou inocente de todas as acusações. Ele disse que trabalhava consertando ar-condicionados e aquecedores e por isso seu DNA foi encontrado na casa das mulheres, mas não tinha nada a ver com os crimes.

Em 16 de julho de 2021, Michael foi sentenciado à pena de morte pelos homicídios de Ashley, Maria e 10 homens de Michelle. Mas, como o governador proibiu as execuções, Michael segue preso sem data de execução marcada. Michael ainda está esperando o julgamento pela morte de Tricia, já que o crime aconteceu em outro estado e a acusação só foi feita depois. Michael será enviado para Illinois para outro julgamento, onde pode pegar de 25 anos até prisão perpétua.

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