O Caso Sylvia Likens - Chocou o mundo inteiro

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1/5/20248 min read

O CASO QUE REVOLTOU O MUNDO TODO

Família Likens

Sylvia Likens era uma garota de apenas 16 anos na época dos fatos. Ela morava com seu pai, Lester, sua mãe, Elizabeth, e tinha um casal de irmãos gêmeos mais velhos que ela e outro casal de irmãos gêmeos mais novos, totalizando cinco filhos. Ela era a do meio, entre um casal de gêmeos mais velhos e um casal de gêmeos mais novos.

A vida da família era bastante movimentada, pois os pais de Sylvia trabalhavam no circo, e eles mudavam frequentemente, várias vezes ao longo do ano. Isso fazia com que as meninas não tivessem muitos amigos, afinal, elas tinham que estar sempre indo para novas escolas.

Problemas familíares

Em 1964, Lester e Elizabeth, os pais das crianças, resolveram se separar, eles já haviam tido muitas brigas no relacionamento ao longo do tempo e, finalmente, decidiram se separar. Com isso, sua irmã mais nova, Gene, foi morar com a mãe, e os outros filhos ficaram morando com o pai. No ano seguinte, em 1965, as coisas não estavam nada boas financeiramente para a família.

Elizabeth foi presa por furto em algumas lojas da cidade e as meninas, Sylvia e Jenny, que estavam com ela foram morar também com o pai, junto com os outros irmãos. Nessa época, Sylvia conheceu duas garotas na escola chamadas Paula e Stephanie Banzelos. Paula e Stephanie também eram irmãs.

Mudança de Cidade

Novas Amizades

As meninas que frequentavam a casa uma da outra começaram a construir uma amizade. Conforme o tempo passou, Lester soube que o circo ia se mudar para uma outra cidade novamente. Como a Isabelle não estava mais com ele pois estava presa, ele achou que seria difícil cuidar sozinho de todas aquelas crianças, viajando por várias cidades, especialmente porque a situação financeira não estava boa. Além disso, Sylvia já havia feito algumas amizades naquela cidade.

A ideia de Lester

Lester começou a pensar que seria bom deixar as crianças, ou pelo menos algumas delas, com alguém naquela cidade enquanto ele levava algumas das outras crianças para equilibrar um pouco as coisas e tornar mais fácil administrar e se reerguer financeiramente. Após isso, ele buscaria as meninas e tudo ficaria bem.

Ele descobriu que a mãe daquelas duas amigas de Sylvia era uma mulher chamada Gertrude, além das filhas, ela tinha mais cinco filhos, totalizando sete crianças sob seus cuidados. Além disso, ela trabalhava às vezes como babá de outras crianças da vizinhança, fazendo bicos como babá e passadora de roupas. Gertrude tinha uma grande experiência em lidar com crianças e era bem falada pelas pessoas. As pessoas gostavam de deixar seus filhos com ela devido à sua fama de endireitar as crianças na educação, especialmente aquelas um pouco bagunceiras.

Lester achou que seria ideal, afinal, as garotas já tinham até amizade com as filhas de Gertrude. Um dia, quando foi buscar Sylvia e Jenny na casa de Gertrude onde elas tinham ido fazer uma visita às amigas, ele aproveitou para conversar com Gertrude sobre isso. Já que ela tinha sete filhos e era mãe solteira, pois tinha sido abandonada pelo marido. Ela cuidava dos filhos dela e de outros, sobrevivendo como babá, passadora de roupa, entre outros serviços.

A proposta de Lester

Ela era fumante compulsiva, chegando a consumir vários maços de cigarro ao longo do dia. Gertrude também era considerada uma mulher fria, rígida e autoritária. Ela educava as crianças com essa postura firme, fazendo com que ficassem mais tranquilas, atendendo às expectativas dos pais. Lester, pai de Sylvia e Jenny, conversou com Gertrude e ofereceu a ela $20 semanais para cuidar das duas meninas.

Ela então concordou, afinal, era uma renda extra para ela, e assim foi feito. Ele deixou as duas meninas lá e seguiu viagem com o circo, junto com as outras crianças. No começo, tudo estava bem e certo, apesar da Gertrude, essa mulher mais fria, não apresentar nada de demais. As meninas estavam super bem na casa dela.

O início dos problemas

Lester, que estava com problemas financeiros, começou a atrasar o pagamento de 20 dólares semanais para Gertrude. Ela ficou muito brava e começou a descontar nas meninas, maltratando-as, mesmo que não se importasse com o bem-estar delas. Os pagamentos continuaram atrasando, e ela ficou cada vez mais furiosa. Começou a agredir as meninas, batendo com cinto, gritando que o pai delas tinha atrasado o pagamento e que ela estava cuidando delas de graça.

Jenny ficou muito chateada e brava com essa situação, afinal, nada disso era culpa delas. Além disso, as outras crianças da casa não faziam nada para defendê-las, inclusive as amigas, Paula e Stephanie. Elas começaram a ter raiva de toda a família de Gertrude e das outras crianças. Um dia, na escola, Sylvia ficou sabendo de uma história de que Paula, a filha mais velha de Gertrude, estaria tendo relacionamentos com homens mais velhos, inclusive estaria grávida de um deles.

Lembrando de toda aquela raiva que estava passando e como uma espécie de vingança, resolveu espalhar essa história para toda a escola. Logo, todo mundo estava sabendo e olhando com maus olhos, falando mal e espalhando fofocas sobre Paula. Quando Paula ficou sabendo disso, contou para a mãe, Gertrude, que ficou ainda mais furiosa com Sylvia. Então, passou a focar os castigos exclusivamente nela, deixou de lado a Jenny. Tirou Sylvia do colégio e passou a agredir mais e mais, todos os dias e chegou a trancá-la no porão da casa sem comida ou água por muitos e muitos dias.

Os abusos que a Sylvia passou

A situação fez com que Sylvia ficasse desnutrida e desidratada, por ficar tantos dias sem água e comida, Sylvia não tinha outra opção a não ser comer as suas próprias dejetos. A partir daí as agressões passaram a serem mais severas.

Gertrude passou a chamar todos para se reuniam no porão ao redor de Sylvia, para bater nela, enquanto Gertrude observava tudo. Gradualmente, outras crianças da vizinhança começaram a ser convocadas para participar dessas sessões de tortura. Esse comportamento começou a transformar a situação em uma espécie de espetáculo de horrores para aquelas pessoas, e até mesmo as crianças pareciam se divertir com a situação.

A situação em que Sylvia se encontrava era completamente deplorável. As únicas que não se divertiam com essa atrocidade, obviamente, eram Sylvia e sua irmã Jenny, que ficava horrorizada. Gertrude sempre ameaçava Jenny, dizendo que se ela contasse qualquer coisa para qualquer pessoa, o mesmo iria acontecer com ela. Jenny se juntaria a Sylvia e sofreria da mesma forma.

As agressões à Sylvia tornaram-se cada vez mais intensas e a Gertrude, além de aplicar castigos físicos, começou a realizar atos ainda mais cruéis. Sylvia era queimada com pontas de cigarro diariamente e privada de comida. Se ela reclamasse ou expressasse qualquer desconforto, era submetida a humilhações e agressões ainda mais severas.

Em um dos episódios mais chocantes, Gertrude chegou ao ponto de forçar Sylvia a introduzir uma garrafa de vidro de refrigerante em seu órgão Jennytal. Essa atrocidade aconteceu mais de uma vez, e as razões por trás desses atos eram desconhecidas. A saúde de Sylvia rapidamente declinava, e ela estava tão debilitada que mal tinha forças para se levantar ou se defender.

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Apesar dos apelos de ajuda, Sylvia não encontrava socorro. Uma carta que Jenny conseguiu enviar para sua irmã mais velha foi ignorada, pois a irmã não acreditou nas barbaridades descritas, pensando que eram invenções de Jenny para chamar a atenção. Infelizmente, a situação de tortura persistia e Sylvia estava presa nesse pesadelo cruel.

Uma das últimas coisas que aconteceu com a Sylvia, que marcou bastante, foi um dia em que a Gertrude pediu para que as crianças segurassem a Sylvia enquanto ela aquecia no fogo uma agulha. Depois disso, ela escreveu na barriga da Sylvia: 'Eu sou uma prostituta e tenho orgulho disso.'. A Sylvia ficou ainda mais debilitada; as feridas estavam infeccionando, inclusive, essa da barriga, ela estava muito mal, e a Gertrude percebeu que ela correria risco de morrer ali na casa dela e ela levaria a culpa por esse assassinato. Então, ela obrigou a Sylvia a escrever uma carta na qual ela dizia para os pais que tinha fugido, que não pretendia voltar, que não era para procurá-la. Depois disso, ela pretendia largar Sylvia em um lugar qualquer para que ela morresse ali sozinha. E quando alguém fosse procurá-la, entregaria essa carta, dizendo que a menina tinha fugido, para realmente se livrar da Sylvia.

Desfecho do Caso

No dia 24 de outubro de 1965, mais uma sessão de tortura aconteceu. Sylvia foi espancada várias vezes, ela sofreu vários golpes na cabeça com um pedaço de cabo de vassoura. Depois disso, foi jogada, abandonada ali no porão, ensanguentada e trancada. Dois dias depois, todos voltaram lá para outra sessão de tortura, e dessa vez, ela pretendia dar um banho na Sylvia com água fervente, dizendo que era para limpar as impurezas e os pecados da menina. Existe relatos de que já teria acontecido outras vezes, mas o fato é que ela entrou ali naquele intuito de dar um banho de água fervente na menina e, ao entrar, percebeu que Sylvia não estava respirando. Ao perceber isso, resolveram chamar a polícia e entregar aquela carta que ela tinha obrigado a Sylvia a escrever, dizendo que a menina tinha fugido de casa. A polícia ficou desconfiando um pouco daquela situação, mas toda a mentira veio abaixo quando a Jenny, a irmã mais nova, conseguiu coragem para falar a verdade para um dos policiais.

Ela contou toda a história, todo aquele absurdo. A Gertrude, os filhos dela e todas aquelas outras crianças que estavam envolvidas nessa situação foram presos. Sylvia foi encontrada jogada lá no porão, com muitos machucados, completamente desfigurada, vários cortes e diversos tipos de ferimentos pelo corpo. Além disso, seu órgão íntimo estava completamente inchado. No entanto, exames constataram que Sylvia ainda era virgem, contrariando todas as invenções que faziam a respeito dela.

Um laudo foi feito na Gertrude para verificar se ela era sã, para entender toda aquela maldade que ela tinha feito. O laudo apontou que era completamente insana. Havia a possibilidade de que ela tivesse feito tudo isso por inveja da beleza de Sylvia, que era uma garota realmente muito bonita. Então, todas as suas frustrações de toda a vida dela, todos os maus-tratos, todos os abandonos, toda a vida pesada cuidando daquelas crianças, descontou na Sylvia, uma garota completamente inocente, que não tinha culpa de nada do que a Gertrude tinha passado na vida.

Gertrude e sua filha mais velha, Paula, que era maior de idade, foram condenadas à prisão perpétua. Paula, que estava grávida, teve o bebê, uma menina, mas foi negado o direito dela de ficar com a criança, que foi dada para adoção. Além disso, várias crianças e adolescentes envolvidos nas torturas foram enviados para reformatórios.

Em 1973, mesmo com a condenação à prisão perpétua, Paula recebeu o benefício condicional e saiu da prisão. Em 1985, Gertrude também foi liberada, apesar dos protestos da população, no entanto, cinco anos depois, em 1990, ela faleceu de câncer de pulmão.

Em 2007 foi lançado o Filme Um Crime Americano que foi baseado neste caso. Caso tenha interesse em assistir, por favor, considere se cadastrar na Amazon Prime video pelo link: Prime Video

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