Olivia Gant - ATÉ QUE PONTO UMA MÃE IRIA POR ATENÇÃO?

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5/1/20235 min read

ATÉ QUE PONTO UMA MÃE IRIA POR ATENÇÃO?

Olivia Gant era uma criança de 7 anos que morava com seus pais Kelly Renee Turner-Gant e Jeff Gant e suas duas irmãs no Texas, nos Estados Unidos.

Olivia era uma criança muito animada, esperta e falante. Ela adorava brincar de boneca e era fã das princesas da Disney. Apesar de Olivia ser uma criança muito feliz, seus pais tinham um casamento bem conturbado e viviam brigando. Não demorou muito para que seus pais se separassem.

Logo após a separação, que aconteceu em 2012, Kelly se mudou com Olivia e suas irmãs para o Colorado. No mesmo ano, Olivia teve uma constipação grave e foi atendida no Hospital Infantil do Colorado. Ao chegar no hospital, Kelly contou para os médicos que além da constipação, Olivia não estava comendo direito e teve algumas crises de convulsões. Foi a partir daí que Olivia e sua mãe começaram a ir ao hospital com mais frequência. Kelly sempre alegava para a equipe médica que Olivia continuava sem comer, mesmo tentando de tudo.

Em 2014, diante das alegações da mãe, a equipe médica do hospital achou que o melhor a se fazer era alimentar Olivia por tubos. Durante todas essas visitas e internações de Olivia, Kelly sempre postava o caso de sua filha nas redes sociais, explicando o quão grave era a situação dela e não demorou muito para que a mídia começasse a se sensibilizar com as fotos e vídeos de Olivia na cama do hospital com seus pijamas de princesas. Entre 2015 e 2016, diversas pessoas já conheciam a situação de Olivia Gant, inclusive a Ex-Miss Colorado, Caley-Rae Pavillard gravou para um programa um episódio em que ela e Olivia estavam fazendo uma receita de bolo. Em 2016, a irmã mais velha de Olivia, a Samantha, também estava passando por consultas médicas para investigar algumas dores que Kelly alegava que ela estava sentindo, nada comparado aos sintomas de Olivia, mas ainda assim, precisaria de um acompanhamento médico. Quando Samantha passou em sua primeira consulta, Kelly disse ao médico que quando ela tinha por volta dos seus dois a três anos de idade, tinha tratado de um câncer chamado Linfoma enquanto morava no Texas, então os médicos começaram a fazer o acompanhamento de Samantha para entender melhor o caso dela.

Nessa mesma época, Kelly disse aos médicos de Olivia que ela não poderia ficar mais se alimentando por tubos daquela forma, então a equipe decidiu que Olivia deveria receber os nutrientes necessários diretamente na veia.

Durante todo esses anos no hospital, Olivia passou por diversos procedimentos e consultas para tratar da falta de apetite, além dos diversos remédios, um deles sendo para as convulsões. Olivia foi encaminhada para um neurologista, pois além das fortes convulsões, sua mãe alegava que ela tinha indicações de autismo e atrasos no desenvolvimento. A equipe de neurologistas fizeram todos os exames para comprovar os diagnósticos, mas os exames não apontaram nenhuma das doenças indicadas por Kelly, sendo assim, orientaram a mãe a parar de dar o remédio para tratar da convulsão, porque além da Olivia não ter indicações clínicas para o diagnóstico, os remédios eram extremamente fortes e não eram indicados para crianças, mas Kelly não concordava, então durante um tempo ela continuou dando a medicação, mas depois decidiu parar e voltar novamente, um ciclo que aconteceu em média três vezes.

Um tempo depois, Olivia foi encaminhada para Terapia Ocupacional com uma médica especialista em alimentação, após algumas sessões de terapia, Olivia foi liberada, pois a médica constatou que ela não estava mais tendo problemas para se alimentar. Mas Olivia, parecia não querer sair do hospital, pois logo depois sua mãe relatou para a equipe médica que ela estava sentindo dores incontroláveis, e então, Olivia começou a receber doses muito altas de remédios para dores.

A situação de Olivia só parecia piorar, foi quando Kelly começou a publicar nas redes sociais de que sua filha já estava em estado terminal. Em 2017, Olivia participou do “Make a Wish”, um projeto sem fins lucrativos responsável por realizar desejo de crianças em estado terminal, onde pode ser policial e bombeira por um dia. Todos estavam sensibilizados com o caso de Olivia Gant.

Ainda no mesmo ano, Olivia já tinha passado por 25 cirurgias para tentar melhorar o seu apetite, sua constipação e suas convulsões, mas parecia um caminho sem fim. Em julho de 2017, a mãe solicitou que os médicos do Hospital Infantil do Colorado liberassem sua filha para morrer em casa, mas o hospital recusou. E foi a partir daí que diversas reuniões de ética foram realizadas internamente no hospital. Alguns concordavam com a decisão de Kelly, mas outros não. No final do mês, as enfermeiras receberam a missão de observar Olivia durante os dias no hospital. Nos relatórios, as enfermeiras sempre diziam que Olivia parecia estar muito bem, sem dores, sem convulsões.

No início de agosto, a equipe médica começou a suspeitar de que Olivia Gant poderia estar fazendo abuso médico infantil, que é quando uma criança inventa estar doente só para receber atenção, com base nisso, alguns dos membros da equipe concordaram em liberar Olivia do hospital para ser encaminhada para um hospício, onde a nutrição artificial que estava recebendo iria ser encerrada.

Olivia morreu 19 dias depois, em 20/08/2017, no The Denver Hospice, por falta de nutrientes. Afinal, na época Olivia se alimentava de suco e picolés. Quando Olivia faleceu, a causa da morte era falha no intestino, mas ao realizar a autópsia não foi constatado nenhum problema de saúde, então a causa da morte foi dada como indeterminada.

Kelly se tornou a principal suspeita da morte de sua filha, após uma das cuidadoras de Samantha começar a investigar o caso da filha mais velha com os hospitais do Texas para achar o prontuário com o tratamento de câncer, os hospitais do Texas confirmaram que Samantha nunca havia passado por radioterapia ou quimioterapia.

Em 2019, Kelly começou a ser investigada pelo Gabinete do Xerife do Condado de Douglas e descobriram que ela já tinha um histórico em indicar aos médicos diagnósticos falsos para poder solicitar apoio financeiro de instituições de caridade, indivíduos e do governo. No período de 2014 a 2018, Kelly arrecadou U$ 22.270 dólares através do GoFoundMe, US$ 500.000 do Medicaid, entre diversos, além de acharem textos e publicações de Kelly nas redes sociais descrevendo condições que Samantha nunca havia passado.

Quando Kelly foi acusada da morte de sua filha, a acusação considerou a hipótese de que ela poderia ter a síndrome de Munchausen por preocupação, que nada mais é do que uma condição psicológica em que os pais inventam doenças ou até mesmo causam lesões em seus próprios filhos. Em 2022, Kelly foi condenada e sentenciada a 16 anos de prisão. No tribunal, ela se declarou inocente, mas não contestou sua pena, pois de acordo com o seu advogado, ela teria aceitado porque não queria que sua família passasse por um longo processo de julgamento e interrogatórios.

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