Sarah Sands - A fúria de uma mãe

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

4/25/20235 min read

Ela esfaqueou o "bom velhinho" da vizinhança

Sarah Sands, era uma mulher solteira de 32 anos que morava em Silvertown, leste de Londres, com seus três filhos, Bradley de 12 anos e os gêmeos Alfie e Reece, de 11 anos. A família tinha acabado de se mudar, e mesmo achando que seria uma adaptação difícil para as crianças, Sarah se surpreendeu quando viu que seus filhos estavam se dando bem tanto na vizinhança quanto na escola.

Como seus filhos já estavam naquela fase de não querer mais ficar tão próximos dos pais, por se acharem independentes, Sarah passava muito tempo sozinha, enquanto seus filhos brincavam entre si. Para tentar conhecer o pessoal do condomínio onde morava, Sarah passeava entre os dois blocos, onde conheceu Michael Pleasted, um senhor de 77 anos, muito gentil, simpático e solitário. Michael e Sarah passavam um bom tempo conversando, e logo se tornaram grandes amigos. Sarah cozinhava para ele, e sempre se colocava à disposição quando Michael precisava de algo. Por conta dessa amizade, Michael ficou muito próximo dos filhos de Sarah, todos gostavam muito dele.


Michael trabalhava numa banca de jornal que ficava próximo ao condomínio. Ele era bem conhecido na região e adorado por todos, devido a sua simpatia e generosidade. Um certo dia, Sarah contou que Bradley, ainda com 12 anos, queria arrumar um emprego para ajudar nas despesas da casa, então Michael ofereceu a ele um emprego ajudando na banca de jornal. Bradley ficou extremamente animado com a notícia. Ele aceitou e passou a trabalhar todos os finais de semana e aproveitava para levar seus dois irmãos para ver o quanto ele trabalhava bem e animado.

Tudo parecia estar indo muito bem, até que um certo dia, Bradley disse para sua mãe que não queria mais trabalhar na banca de jornal. No início, Sarah achou que ele teria ficado entediado com tantos papéis e não se preocupou com a situação. No entanto, os gêmeos continuaram indo até a banca para ajudar Michael. Eles tinham gostado tanto de ver Bradley trabalhar que iam ao serviço dele direto para ajudá-lo.

Até que um certo dia, os gêmeos chegaram em casa extremamente chateados e em choque, eles chamaram sua mãe no quarto e contaram que Michael tinha os convidado para ir até o apartamento dele para conhecer, mas na verdade, eles foram obrigados a se relacionar sexualmente com o senhor de idade. Bradley escutou a conversa dos irmãos e foi para o seu quarto desesperado, se culpando pelo que tinha acontecido, afinal ele quem tinha levado os irmãos para a banca de jornal. Sarah foi até Bradley para perguntar se ele sabia de algo, foi quando encontrou seu filho em estado de choque. Ele contou para ela que Michael também tinha o obrigado a ter relações sexuais e que esse era o motivo dele não querer mais trabalhar na banca de jornal. Ele não imaginou que Michael iria fazer o mesmo com seus irmãos, mas agora, estava se sentindo extremamente culpado.

Imediatamente, Sarah acionou a polícia e Michael foi preso, ele se declarou inocente e pouco depois acabou sendo liberado sob fiança para aguardar o processo em liberdade, voltando a morar em seu apartamento, bem na frente do apartamento de Sarah e seus filhos.

Sarah e as crianças ficaram desesperadas achando que Michael iria querer vingança, então ela foi até a delegacia e implorou para que o prendessem, mas eles disseram que não podiam fazer nada sem provas e orientou que ela se mudasse do prédio. Mesmo achando um descaso da polícia, Sarah decidiu voltar para a casa de sua mãe com os meninos.

Uns dias depois, ela foi até o conselho tutelar atrás de ajuda, mas ao chegar lá foi informada que eles não poderiam tirar Michael do prédio, a única coisa que eles poderiam fazer para ajudar era conseguir uma outra moradia para ela e seus filhos, mas que seria distante de Londres.

Sarah estava inconformada com o fato de parecer que ela simplesmente não conseguiria nenhum tipo de justiça por seus filhos, ela também estava muito chateada com o fato de ter que sair de seu novo apartamento por algo de errado que outra pessoa tinha feito.

No dia 28 de novembro de 2014, Sarah saiu da casa de sua mãe, depois de tomar duas garrafas de vinho, e foi em direção ao seu apartamento. Sarah, olhava para as fotos de seus filhos e chorava pensando o quanto tinha falhado como mãe e o quanto era injusto ela e seus filhos terem que mudar sua rotina por alguém que tinha feito algo tão terrível. Tomada pela raiva, Sarah saiu do seu apartamento de capuz e com uma faca, foi até o bloco do seu vizinho Michael, bateu em sua porta e quando foi atendida, pediu para que ele assumisse o seu erro, mas Michael, é claro, não estava disposto a fazer isso, eles começaram a discutir, durante esse confronto, Sarah disse não reconhecer aquele homem que estava na sua frente e quando percebeu que ele estava debochando de toda a situação, ela o esfaqueou 8 vezes e foi embora.


Depois de uma hora do crime, ela foi até a delegacia e se entregou. Em seu depoimento, ela disse que sua intenção não era tirar a vida dele, mas sim, assustá-lo. Porém como ele estava fazendo pouco caso e debochando da situação, ela surtou e quando percebeu já tinha esfaqueado ele. Sarah foi detida e acusada de homicídio, já as crianças foram colocadas sob os cuidados dos avós.

Durante as investigações, a polícia descobriu que o nome verdadeiro de Michael era Robin Moe. Ele tinha mudado de identidade após ser acusado 24 vezes por pedofilia nos anos de 1970 a 1991. Por conta desses crimes, Michael, agora Robin, já tinha cumprido um pouco mais de 15 anos de prisão.


O julgamento de Sarah começou em setembro de 2015, ela foi condenada por homicídio culposo, sendo sentenciada a 3 anos de prisão em regime fechado. O caso teve uma grande repercussão e a opinião pública achou a pena muito leve e pediu a extensão, pois eles não acreditavam que ela tinha agido num momento de raiva por ter tentado esconder seu rosto com um capuz, não ter prestado socorro à vítima e limpado as impressões digitais do local. A sua pena foi estendida para 7 anos, mas depois de 4 anos, ela foi liberada, em agosto de 2018.


Em 2021, ela e seus filhos renunciaram seu direito de ficar em silêncio e gravaram algumas entrevistas. Para a mídia, ela disse não se orgulhar do que fez, mas que precisava tomar uma atitude para proteger seus filhos, seus filhos disseram que a consideram uma heroína, mas que mesmo assim, foi difícil crescer sem ter ela por perto.

"Ela realmente fez com que nos sentíssemos mais seguros. Aquilo não diminuiu os pesadelos. Mas nos deu uma sensação de segurança, porque você podia andar pela rua sabendo que ele não iria aparecer de repente na esquina."

Eles também disseram que o relacionamento deles com a mãe estava mais forte do que nunca.

"Ela nos mima bastante, é bom, mas nos faz perceber todos os anos que perdemos juntos. Não há nada que vá romper a união de nossa família"

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