Maria Alice Seabra - O monstro estava mais perto do que imaginavam

CRIMES REAISCASOS BRASILEIROS

4/24/20235 min read

Sequestro e cárcere privado, estrupo, destruição, subtração e ocultação de cadáver

Maria Alice Seabra, era uma jovem de 19 anos que morava com a mãe Maria José de Arruda, em Pernambuco. Sua irmã mais velha Maria Angélica Seabra, morava com seu pai e sua bisavó ali próximo. Quando Maria José e o pai das meninas se separaram, eles decidiram que cada um criaria uma das filhas.

Quando Maria Alice tinha apenas 4 anos, sua mãe conheceu um rapaz chamado Gildo da Silva Xavier. Ele era pedreiro e tinha muito carinho por Alice, como se ela fosse realmente filha dele. Ele organizava festas de aniversários, dava presentes, ia a reuniões de escola, etc. Alguns anos depois, Maria José e Gildo tiveram uma filha, mas o carinho pela enteada continuou o mesmo.

Conforme Maria Alice foi ficando mais velha, Gildo passou a ser mais controlador, dizendo com quem ela deveria ou não sair e para onde poderia ir ou não. Essa atitude do padrasto causava brigas entre ele e sua enteada, afinal, ela estava naquela fase de querer sair para festas com amigos, mas não podia. Esse comportamento nunca foi entendido por Maria José ou por sua filha, como algo abusivo e sim, como uma forma de proteção.

Até que em fevereiro de 2015 numa reunião de família, um dos seus tios disse que ela deveria arrumar um namorado. Gildo não gostou da brincadeira e quando chegou em casa, começou a brigar com Maria Alice. Essas brigas nunca chegavam a ter agressões físicas contra a adolescente, somente contra sua mãe. Depois que as discussões passavam, Gildo voltava a tratar as meninas muito bem, levando para lugares, dando presentes, dizendo que amava. Até que em 2015, Maria Alice e sua irmã descobriram que Gildo traía sua mãe, Alice foi até ele para tirar satisfação da situação e os dois começaram a brigar novamente e a jovem, que já tinha 19 anos, decidiu sair de casa para ir morar com sua irmã.

Maria Alice tinha contado para sua mãe da traição, então ela e Gildo se separaram por um tempo, mas depois acabaram voltando. Enquanto estava na casa de sua irmã, Maria Alice fez uma tatuagem com o nome de seu pai e estava em busca de emprego.

Gildo ficou sabendo que Maria Alice estava procurando emprego e comentou com ela sobre uma oferta de trabalho que tinha cidade de Gravatá e se dispôs a leva-la. Mesmo Alice estando brava com Gildo, ela aceitou a carona. No dia 18 de junho, ele ligou para Maria José para avisar que levaria sua enteada até a cidade e ela concordou. No dia 19 de junho pela manhã, Maria Alice foi até a casa de sua mãe esperar por Gildo. Ele chegou por volta das 13h com um carro alugado, e foi com ela até o local. No meio do caminho, Gildo começou a discutir com Maria Alice por conta da tatuagem e por ter saído de casa, até que Gildo saiu da rota da planejada, e Maria Alice voltou a discutir com ele por isso. Gildo estava extremamente irritado, então começou a agredir a enteada que fingiu desmaiar. Ele a colocou no banco de trás, logo em seguida, Maria José começou a ligar para sua filha, Gildo atendeu a ligação e no fundo Maria Alice gritou por socorro, logo, ele desligou e telefone e enforcou Maria Alice com o cinto de segurança.

A mãe, Maria José foi imediatamente para a polícia relatar o caso. A princípio, se tratava de um caso de desaparecimento. Nem a família e nem as autoridades conseguiram contato com Maria Alice ou Gildo, ninguém sabia do paradeiro deles.

Até que no dia 23 de junho, Gleide, a delegada responsável pelo caso, conseguiu contato com Gildo por WhatsApp, ele informou que tinha deixado sua enteada em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, mas não deu sinal se ela estaria viva ainda.

Uma equipe foi até o local procurar por Maria Alice, chegando lá, perceberam que o endereço era de um canavial, o que iria dificultar ainda mais as buscas. A polícia ficou no local até as 3h da manhã, mas não conseguiram encontrar a adolescente, e por conta da escuridão, eles decidiram encerrar as buscas naquele dia. Outra equipe estava atrás do paradeiro de Gildo e conseguiram prender ele naquele mesmo dia.

Como eles ainda não tinham nenhum sinal de Alice, no dia 24 de junho, a polícia foi com Gildo até o local para encontrar o corpo da menina. Maria Alice foi encontrada seminua, vestida somente com a calça e sem seu braço esquerdo, onde estaria a tatuagem.

Gildo confessou o crime e contou detalhadamente como tinha feito e porquê tinha feito. Ele disse sentir atração sexual pela enteada desde que ela tinha 16 anos, e que se sentiu traído quando soube que ela tinha tatuado o nome de outro homem em seu corpo, e por isso, dois meses antes do assassinato, ele planejou tudo. No dia 19 de junho antes de encontrar Maria Alice, ele pediu a antecipação do salário para poder alugar o carro e fugir. Disse também que foi até uma loja para colocar película escuras nas janelas. Essa história foi confirmada pelo atendente, que ressaltou a pressa de Gildo naquele dia. Ele confessou ter levado Maria Alice até o Sitio Burro Velho, em Itapissuma, e a estuprado, e depois foi em direção ao Ceará. Gildo não mostrou nenhum remorso e disse que fez isso por estar completamente apaixonado por ela.

No dia 22 de maio de 2018, Gildo da Silva Xavier foi condenado a 35 anos de prisão por homicídio quadruplamente qualificado, sequestro e cárcere privado, estrupo, destruição, subtração e ocultação de cadáver.

A família de Maria Alice disse não suspeitar que ele pudesse fazer algo tão terrível com a enteada, afinal, ele sempre agiu como um pai para ela.

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