Sara Kruzan - Uma longa e intensa luta pela Liberdade

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

5/4/20235 min read

Depois de muitos anos sofrendo ela decidiu matar seu abusador

Sara Kruzan, nasceu em 8 de janeiro de 1978 morava em Riverside, Califórnia com a mãe e seu pai estava preso.

Durante sua infância, Sara e sua mãe viviam em um bairro periférico muito marginalizado e perigoso, cheio de gangues, pobreza e drogas, além dos perigos externos Sara afirma que sua mãe tinha transtorno de personalidade limítrofe, e que sua infância foi um caos também por causa disso, ela afirmou que sofria diversos abusos físicos e psicológicos por parte de sua mãe, ela era agredida diariamente das piores formas, sua mãe até mesmo batia sua cabeça no chão, e a xingava de todos os nomes.

A mãe de sara também levava sempre homens pra casa, diversos namorados então aos 5 anos, Sara começou a sofrer também abusos sexuais desses homens, sua mãe sabia e não fazia nada pra proteger sara, colocava a culpa nela, a agredia e continuava levando mais homens pra casa.

Sara foi colocado em um orfanato por um tempo, depois que hematomas foram descobertos nela, fruta da violência da mãe, ela passou por algumas famílias mas não conseguiu se adaptar a nenhuma então sempre voltava ao orfanato, eventualmente ela foi devolvida a mãe.

Quando Sara tinha 11 anos, ela estava voltando da escola, quando conheceu George Gilbert Howard, que era um traficante e cafetão da região, vinte anos mais velho que ela, naquele dia, George obrigou Sara a entrar no seu carro, a levou para a casa dele e a molestou, depois ele tratou ela bem, como se nada tivesse acontecido e deixou ela voltar pra casa.

Depois disso Sara e George se encontraram mais vezes e os encontros eram quase sempre assim, os abusos depois ele tratava ela como um pai então ela começou a pensar nele como um pai realmente.

Dois anos depois, sara com 13 anos George começa a introduzir ela no mundo da prostituição, era seu cafetão, ela era obrigada a atender os clientes, foi assim dos 13 até os 16 anos.

Quando Sara tinha 16 anos, começou a namorar um rapaz chamado Johnny Otis, que tinha um tio ex-presidiário, chamado James Earl Hampton.

Em 9 de março de 1994, Sara concordou em encontrar George para um encontro e passar a noite com ele em um Motel. A noite se passou e na manha seguinte um funcionário do motel encontrou George morto no quarto com um tiro no pescoço, não tinha nenhum sinal de sara, a polícia foi chamada.

Quando os policiais chegaram no local encontraram a carteira de identidade de Sara e a bolsa deixadas para trás no quarto do motel, um mandado de prisão foi emitido para sua captura. Em 14 de março, Sara foi presa na casa de James, tio de seu namorado. Durante o interrogatório, Sara fez uma confissão à polícia.

Segundo ela o crime tinha sido premeditado por James, tio do namorado, ela disse que quando james soube do passado dela com George ele ordenou que sara matasse George e roubasse o dinheiro dele, ela se recusou então ele disse que mataria a mãe dela se não fizesse.

Na noite de 9 de março então, quando George convidou ela para o motel ela aceitou pensando já em cometer o crime, chegando lá antes de iniciar o ato sexual com George pegou A ARMA ERA DE QUEM?? e atirou no pescoço de George, depois roubou 1500 dolares da carteira dele e as chaves de seu carro e fugiu do local, indo encontrar o namorado e o tio James para entregar o dinheiro.

As autoridades não acreditaram na versão de sara, não tinha nenhuma prova contra o namorado e o tio então foi considerado que ela fez tudo sozinha pra se livrar de George e roubar suas coisas, foi concluído então que sara seria julgada em um tribunal de adultos por assassinato em primeiro grau, ainda que ela tivesse apenas 16 anos.

Durante seu julgamento, Sara deu a mesma versão dos fatos, seus abusos sofridos de george não foram admitidos como evidencias e ela não teve permissão pra falar sobre isso.

Em seus argumentos finais no julgamento, o advogado de acusação Timothy Freer advertiu os jurados a não se deixarem influenciar pela aparência de uma adolescente atraente e pequena que pode não se encaixar em sua imagem de assassino.

Em 11 de maio de 1995, um júri do Tribunal Superior de Riverside composto por sete mulheres e cinco homens considerou Sara culpada de assassinato em primeiro grau, afirmando duas circunstâncias especiais — que George foi assassinado durante um assalto e que Sara estava " à espreita" para matá-lo – para justificar uma sentença de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Depois do fim do julgamento Sara passou a ser foco de petições nacionais e grupos de reforma judicial que defendem um novo julgamento que levasse em conta todo o passado de abusos entre Sara e George. Alguns grupos de campanha sugeriram que Sara sofria da síndrome da pessoa espancada, uma condição física e psicológica que muitas vezes resulta em vítimas de abuso assassinando seus agressores.

O Centro Nacional para a Lei da Juventude também se envolveu no caso e se pronunciou contra os EUA, pela frequência com que sentencia jovens à prisão perpétua sem liberdade condicional, com Sara frequentemente mencionada como um exemplo da necessidade de maior compaixão.

Após doze anos de sentença, em 2009, Sara finalmente conseguiu falar sobre sua história em entrevista e, como resultado, recebeu ainda mais atenção nacional de indivíduos e grupos de reforma judicial, que defenderam um novo julgamento e a proibição em sentenças de prisão perpétua sem liberdade condicional para jovens na Califórnia.

Em 2 de janeiro de 2011, como resultado da atenção da mídia, Sara recebeu clemência do governador Arnold Schwarzenegger, que comutou sua sentença para 25 anos com possibilidade de liberdade condicional. Em janeiro de 2013, sua sentença foi reduzida para homicídio culposo em segundo grau e 19 anos de prisão, tornando-a elegível para uma audiência de liberdade condicional.

Ela foi considerada adequada para liberdade condicional em 12 de junho de 2013, e a decisão foi encaminhada ao governador Jerry Brown. Em 25 de outubro de 2013, Brown não tomou nenhuma ação sobre a decisão do conselho de liberdade condicional, confirmando-a efetivamente, permitindo que o conselho de liberdade condicional prosseguisse com a liberdade condicional de Sara Kruzan.

Em 31 de outubro de 2013, ela foi libertada em liberdade condicional do Centro Feminino da Califórnia Central em Chowchilla depois de cumprir 19 anos de prisão.

Em julho de 2022 Sara recebeu o perdão judicial por seu crime e agora leva uma vida completamente livre, atualmente, ela se tornou uma ativista defensora nacional para mudar a forma como o sistema de justiça criminal trata crianças e adolescentes e para reformar as leis que ignoram o abuso sexual e o tráfico, quando se trata de sentenças judiciais.

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