Sarah Payne - Uma história muito triste

CRIMES REAISCASOS ESTRANGEIROS

4/20/20232 min read

Sarah Payne, a ultima viagem em família

Sarah Evelyn Isobel Payne, era uma menina de 8 anos muito animada e brincalhona. Seus pais Michael e Sara moravam em Surrey, na Inglaterra, e tinha mais três filhos, Lee de 13 anos, Luke de 11 anos e Charlotte de 6 anos. Sara tinha uma imaginação muito fértil, adorava tudo relacionado a princesas, era uma menina muito carinhosa com quem amava, adorava escrever bilhetes carinhosos, mas também era muito tímida com quem não conhecia.

No verão de 2000, Maicon e Sara foram com seus filhos visitar os avós Brian e Elizabeth Williams em West Sussex, sudeste da Inglaterra, na casa de praia. No dia primeiro de julho, a família se reuniu para jantar e logo em seguida, Sara, Michael, Brian e Elizabeth foram fazer uma caminhada pela praia, enquanto as crianças estavam brincando de esconde-esconde num terreno ali próximo. Como a vizinhança era bem tranquila e segura, era comum ver crianças brincando sem a supervisão de um adulto. Enquanto Sarah, Luke, Lee e Charlotte estavam brincando, Sarah acabou machucando a cabeça no chão, e decidiu voltar para casa. Seus irmãos ficaram furiosos por acharem que talvez ela estivesse fazendo drama. Entretanto, mesmo bravo Lee, o irmão mais velho, saiu correndo atrás de Sarah para que ela não se perdesse, quando ele chegou próximo a estrada, viu uma van branca e um homem de barba longa, cabelos brancos, com uma aparência de quem não se cuidava há muito tempo. O homem desconhecido acenou e sorriu para Lee e logo partiu.

Luke e Charlotte conseguiram alcançar o irmão mais velhos e todos voltaram juntos para casa. Ao chegarem lá, perceberam que Sarah ainda não tinha aparecido. Seus pais preocupados perguntam pela filha e foram informados de que ela tinha ido embora primeiro porque tinha se machucado. Imediatamente, a família aciona a polícia que vai até o local para realizar uma busca, mas não conseguiram encontrar nada. Por ser uma situação atípica na região, o caso de desaparecimento de Sarah se espalhou rapidamente, tanto que no segundo dia de investigação, ele já era um caso conhecido nacionalmente, com uma equipe de busca composta por 1.300 policiais.

Ainda no segundo dia de busca, o detetive responsável pelo caso Paul William determinou que os policiais deveriam bater nas casas vizinhas em busca da menina, mas a operação não teve muito sucesso. Sem nenhuma pista de onde Sarah poderia estar, o detetive Paul levantou uma lista de criminosos sexuais que moravam ali na região e que poderiam sequestrar uma criança. Eram oito possíveis criminosos, entretanto, tinha apenas um que batia com toda a descrição, Roy Whiting, de 41 anos. Ele morava há 8km de distância dos avós de Sarah e batia com a descrição que Lee tinha dado sobre o homem da van, exceto pela van, pois não havia registro de que ele tivesse um carro. Quando interrogado, Roy disse à polícia que não sabia sobre o paradeiro da criança, mas se recusou a responder todas as perguntas. As autoridades perceberam que ele tinha vários arranhões no pescoço, mas como não tinham a confissão, tiveram que liberar ele. De acordo com os registros criminais, no dia 04 de março de 1995, ele foi responsável pelo sequestro e abuso de uma menina de nove anos. Após o ato, Roy havia deixado a criança perto de sua casa na estrada que ficava há mais ou menos uns 48km de onde Sarah tinha desaparecido. Na época, um amigo de Roy tinha o denunciado após a polícia dizer quais eram as características do Ford vermelho que batia exatamente com o carro do criminoso. Roy foi condenado a quatro anos e meio de prisão, pois tinha confessado o crime, mas no fim das contas, ele cumpriu apenas 2 anos e 5 meses e teria tido sua pena reduzida se não tivesse recusado de fazer um curso oferecido pela prisão. Enquanto estava preso, Roy foi avaliado por um psiquiatra que concluiu que ele poderia cometer o mesmo crime novamente e ainda assassinar a próxima vítima.

No dia 03 de julho, os pais de Sarah fizeram um apelo na televisão pedindo para que ela voltasse para casa e logo em seguida, a polícia começou a receber diversas ligações sobre o possível paradeiro de Sarah, dando esperança para os pais da menina de que ela ainda pudesse estar viva, mas mesmo com tantas ligações, a polícia começou a preparar a família para a possibilidade de Sarah estar morta.

Roy continuava sendo o principal suspeito da polícia, e por precaução, policiais disfarçados passavam o dia todo seguindo ele. Quando notaram um comportamento estranho, Roy foi levado para delegacia novamente. A polícia encaminhou uma equipe forense para o apartamento dele, mas não encontraram nada e tiveram que solta-lo. Até que os policiais disfarçados o viram entrando numa van branca e descobriram que ele tinha comprado o veículo apenas uma semana antes do desaparecimento de Sarah.

No dia 16 de julho, um produtor rural encontrou um pequeno corpo enterrado parcialmente ao lado de uma estrada há 28km de onde Sarah tinha sido sequestrada. Dois dias depois, a polícia confirmou que o corpo era da criança desaparecida. Ela foi encontrada sem roupa e com sinais de estrangulamento. A autopsia constatou que a morte tinha sido violenta, Sarah teve a maior parte de seu cabelo arrancado, o corpo já estava em estado de decomposição e tinha sido atacado por animais. No dia 20 de julho, a polícia recebeu uma ligação de uma motorista chamada Deborah sobre um sapato que estava na estrada há mais ou menos 16km de onde o corpo tinha sido encontrado. Sara confirmou que o sapato era de sua filha.

Roy ainda era o principal suspeito da polícia, então eles começaram a buscar por inconsistências nos depoimentos. No primeiro interrogatório, ele disse que estava há 32km da casa dos avós de Sarah, num parque de diversões desde às 17h e que só voltou para a casa às 21h, mas em sua casa, a polícia achou um recibo de um posto de gasolina com um horário que contradizia essa versão, e que inclusive ficava apenas há 5km de onde os sapatos da criança foram encontrados.

No dia 23 de julho, Roy roubou um carro para fugir da polícia, mas acabou batendo em outro motorista e foi preso por dois dias pelo assalto e depois liberado para aguardar o julgamento. Em 26 de setembro, Roy foi condenado a 22 meses de prisão pelo roubo de veículo e direção perigosa. Enquanto estava preso, os policiais tiveram acesso a sua van e dentro dela encontraram no banco traseiro brinquedos, cordas, doces, faca, óleo de bebê e braçadeiras, além do DNA de Sarah no suéter de Roy.

Em 06 de fevereiro de 2001, Roy foi levado formalmente ao tribunal para ser acusado pelo sequestro e assassinato de Sarah. Na pré-audiência que aconteceu em 18 de maio, ele se declarou inocente e no julgamento que aconteceu no dia 14 de novembro, ele também se declarou inocente.

O julgamento de Roy envolveu mais de mil, sendo 26 profissionais forenses de diversas áreas e custando mais de 3 milhões de libras. Em torno de 500 itens passaram por avaliação forense. Depois de 4 semanas de julgamento, Roy foi considerado culpado. Durante todo o processo, a polícia não divulgou para a mídia ou para o tribunal os crimes anteriores do criminoso, dessa forma, os advogados não poderiam recorrer a sentença.

No dia 12 de dezembro, ele recebeu sentença de prisão perpétua com pena mínima de 50 anos. As autoridades chegaram a conceder 500 libras para Deborah por ter ajudado no caso.

Em 2003, Michael e Sara se divorciaram por conta de todo o estresse que o desaparecimento de sua filha tinha causado. Michael entrou em uma forte depressão e alcoolismo e pouco tempo depois, Sara deu à luz a mais uma menina. Em 2004, ela escreveu um livro que detalha a morte de sua filha e as consequências que enfrentou por isso.

Em 2010, a pena mínima de prisão de Roy foi diminuída para 40 anos. E em dezembro de 2011, Michael foi preso por 16 meses por agredir seu irmão com um copo enquanto estava bêbado. Três anos depois, em 2014, Michael foi encontrado morto em seu apartamento, aos 45 anos por causas naturais, de acordo com a autopsia.

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