Thayná Andressa de Jesus Prado - Carona com a Morte

CRIMES REAISCASOS BRASILEIROS

4/29/20237 min read

O caso que revoltou o estado Espírito Santo

Thayná Andressa de Jesus Prado tinha 12 anos morava em Viana, Vitória, Espirito Santo, com a mãe Clemilda Aparecida de Jesus, 41 anos.

Todos diziam que Thayná era muito inteligente, alegre e sempre disposta a ajudar sua mãe.

Na manhã de 17 de outubro de 2017, Thayná saiu da casa da babá, para ir ao supermercado em busca de caixas para ajudar a mãe a fazer uma mudança, às 8:00 telefonou para a mãe, que estava no trabalho, dizendo que não encontrou o que queria e iria procurar em outro comércio.

Após a busca no supermercado, ela deveria ter ido para a escola, a mãe, Clemilda, como de costume tentou falar com a filha por volta da hora do almoço, mas caiu na caixa postal, ela imaginou que o celular tivesse acabado a bateria e à noite ligou novamente, mas não conseguiu contato com Thayná.

Clemilda ligou para uma vizinha, que disse que a menina não estava em casa e a mãe procurou um colega de classe da filha, que informou que a menina não havia ido à aula aquele dia.

Clemilda começou, desesperadamente, a procurar pelo bairro, falou com moradores e comerciantes em busca de qualquer informação que pudessem ter sobre o paradeiro da menina, chegou a registrar 3 boletins de ocorrência, mas a polícia tratou o caso como uma fuga adolescente e só deu atenção à mãe 10 dias depois, em 27 de outubro, quando ela entregou imagens de vídeo monitoramento, que conseguiu de um comércio do bairro, que mostrava a Thayná entrando no carro de um homem desconhecido, após conversar com ele na calçada.

Em certo momento, a menina chega a se afastar do carro, mas acaba entrando no veículo. Através da placa do carro, a polícia identificou o suspeito como sendo Ademir Lúcio Ferreira de Araújo, de 52 anos, o carro pertencia à namorada dele. Ela foi levada até a delegacia para prestar depoimento, e disse que Ademir estava com o carro no dia do desaparecimento de Thayná, mas não tinha notícias do paradeiro dele desde o dia do desaparecimento da menina.

O vídeo das câmeras de segurança e a foto de Ademir foram divulgados à imprensa pela polícia, ele passou a ser procurado. Segundo o delegado responsável pelo caso, Ademir era um homem perigoso e já tinha 22 passagens criminais em diversos estados por estelionato, extorsão, interceptação, homicídio, estupro, receptação, uso de documento falso, sequestro, formação de quadrilha e ameaças. Ele foi preso várias vezes, mas ganhou liberdade pela última vez em dezembro de 2016.

Exatamente 3 dias antes do desaparecimento de Thayná, em 14 de outubro, dirigindo um carro prata, Ademir também abordou uma menina de 11 anos, que estava indo ao supermercado, ele ofereceu uma carona, mas assim que a menina entrou no carro, ele desviou o caminho. Segundo as investigações, ele levou a criança para um depósito de material de construção, onde a estuprou dentro do carro, ela foi abandonada no meio da rua e precisou ser hospitalizada por 4 dias.

O inquérito desse caso ficou sob responsabilidade da delegacia de proteção à criança e ao adolescente, que expediu um mandado de prisão preventiva contra Ademir. Testemunhas reconheceram o carro e a menina também confirmou que Ademir havia abusado dela, após ver o rosto dele em fotografias. No caso da menina Thayná, ele teve a prisão decretada por sequestro, e foi considerado foragido.

Em 2 de novembro, amigos e vizinhos de Thayná realizaram uma manifestação na BR 101 de Viana, para pedir mais agilidade das autoridades nas investigações. A manifestação chamou a atenção do poder público e a partir daí, o caso passou a ter mais atenção da mídia. Em 7 de novembro, o carro utilizado por Ademir para sequestrar Thayná, foi localizado e apreendido pela polícia civil em uma oficina mecânica em Guarapari, no sul do Espírito Santo, de acordo com a polícia o veículo foi vendido por 5 mil reais, no dia 28 de outubro, nessa data a placa do carro e a foto de Ademir ainda não haviam sido divulgadas pela imprensa.

O comprador foi um vendedor de queijo de Viana, o queijeiro contou à polícia que conhecia Ademir, mas não sabia da história do desaparecimento de Thayná quando comprou o veículo. O veículo foi levado para a Vitória e uma perícia foi feita para a coleta de material para análise.

Em 10 de novembro, os ossos de uma criança do sexo feminino foram encontrados em um brejo, próximo a uma Lagoa, no bairro Ribeiro em Viana. Segundo o delegado, o local era usado pelo foragido Ademir para cometer crimes. As buscas foram realizadas por policiais do grupo de operações táticas da polícia civil e de militares do corpo de bombeiros, o matagal próximo ao prédio onde a ossada foi encontrada estava queimado.

O padrasto de Thayná reconheceu que a roupa encontrada ao lado dos ossos era que a enteada usava no dia em que desapareceu. Clemilda, mãe de Thayná, ficou muito abalada quando ouviu a confirmação feita pelo marido.

Ademir foi preso em Porto Alegre, na madrugada de 13 de novembro, quase 1 mês após o crime, ele foi localizado no centro de Porto Alegre, região de muitos hotéis e pensões, inicialmente conseguiu fugir, deixando para trás pertences e documentos, o monitoramento foi mantido e quando ele saiu para fazer um lanche na rodoviária, foi preso pelos militares.

Ademir foi encaminhado para a delegacia e em um vídeo gravado na carceragem, ele contou detalhes do dia do crime. Segundo ele, parou o carro quando viu a menina na rua, chamou Thayná pelo nome e perguntou pela mãe dela em seguida, ele a chamou para entrar no carro, dirigiu até a Lagoa e parou no local. De acordo com Ademir, ele ofereceu 50 reais à menina para terem relações sexuais, mas ela negou, saiu correndo do carro, passou por um barranco e caiu dentro da Lagoa, ele alegou tê-la visto afundando e não conseguiu resgatá-la.

Questionado sobre onde a menina estava, ele respondeu que estava dentro da Lagoa, disse ainda que chegou a ligar 2 vezes para a mãe da menina para avisar, mas não foi atendido. Bastante revoltada, Clemilda rebateu a afirmação de Ademir e disse que ela e a filha não o conheciam antes do crime então não tinha como ele saber o nome e telefone delas.

Em 4 de dezembro, foi confirmado pelo superintendente da polícia técnico científica, que a ossada da criança encontrada pela polícia em 10 de novembro era de Thayná. O resultado do exame cadavérico apontou que a causa da morte era inconclusiva, dessa forma, a menina não morreu afogada, contrariando a versão de Ademir.

A perícia da polícia civil detectou sêmen e sangue no veículo utilizado por Ademir, para sequestrar Thayná. Segundo o laudo pericial, o sêmen pertencia ao suspeito e o sangue era de Thayná e também da menina de 11 anos que foi estuprada por Ademir, em 14 de outubro.

No dia 06 de abril de 2018, Ademir foi condenado a 34 anos de prisão, em regime fechado, pelo estupro a criança de 11 anos ocorrido antes do crime contra Thayná.

Em 12 de abril de 2018, aconteceu a primeira audiência do caso da morte de Thayná, no fórum de Viana. Durante o depoimento de Ademir, ele confessou pela primeira vez que estuprou a menina de 11 anos, em 14 de outubro, 3 dias antes do sequestro de Thayná. Logo no início do depoimento dele disse que não queria ser filmado, e afirmou que foi preso injustamente por um crime que não havia cometido, mas quando questionado sobre se mantinha relações com outras meninas, ele confirmou.

Em 2019, um trecho de mais de 11 km de rodovia recebeu o nome de rodovia Thayná Andressa de Jesus Prado, em homenagem à memória de Thayná. Na noite de 21 de junho de 2020, Ademir Lúcio Ferreira de Araújo foi assassinado dentro da penitenciária estadual de Vila Velha. De acordo com a polícia civil, um presidiário de 28 anos assumiu a autoria do crime e afirmou que teria sido assediado por Ademir.

No entanto, segundo ele, ao não aceitar manter relações sexuais teria sofrido ameaças pessoais e a familiares, o suspeito alegou que após a ameaça reagiu agredindo Ademir com um golpe conhecido como ‘’mata leão’’ que o levou à morte. Ele foi pego em flagrante, por homicídio qualificado e foi encaminhado ao centro de triagem de Viana.

O corpo de Ademir foi encaminhado para o departamento médico legal de Vitória, o prazo para o reconhecimento de corpos era de 30 dias, mas como nenhum familiar demonstrou interesse em fazer a identificação e realizar o sepultamento dentro desse período, ele foi enterrado pelo estado em um cemitério público da grande Vitória. Para a mãe da menina Thayná, a esperança de que a justiça fosse feita terminou com a morte de Ademir, já que ele nunca recebeu a sentença pelo assassinato de Thayná.

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